“Estado foi dividido duas vezes”, lembra o advogado Isaac de Barros Jr.

11/10/2013 09h46 - Atualizado em 11/10/2013 09h46

“Estado foi dividido duas vezes”, lembra o advogado Isaac de Barros Jr.

Dourados Agora
 
 
Foto – César Cordeiro
O advogado e jornalista Isaac Duarte de Barros Júnior, um estudioso sobre a história do MS Foto – César Cordeiro
O advogado e jornalista Isaac Duarte de Barros Júnior, um estudioso sobre a história do MS

Hoje comemora-se a divisão do estado de Mato Grosso. Com a separação surgiu então o Mato Grosso do Sul. Mas o advogado Isaac de Barros lembra que a divisão ocorreu em duas oportunidades, sendo a primeira em 1932, durante a revolta constitucionalista de 1.932, como lembra o advogado e jornalista Isaac de Barros, descendente de pioneiros de Dourados e um estudioso no assunto.

Mato Grosso foi desmembrado por lei complementar de 11 de outubro de 1977 e instalado em 1o de janeiro de 1979, porém a história e a colonização da região, onde hoje está a unidade federativa, é bastante antiga remontando ao período colonial antes do Tratado de Madri, em 1750, quando passou a integrar a coroa portuguesa. Durante o século XVII, foram instaladas duas reduções jesuíticas, Santo Inácio de Caaguaçu e Santa Maria da Fé do Taré, entre os índios guaranis na região então conhecida como "Itatim". Uma parte do antigo estado estava localizado dentro da Amazônia Legal, cuja área, que antes ia até o paralelo dezesseis, estendeu-se mais para o sul por um breve período de tempo, a fim de beneficiar com seus incentivos fiscais, a nova unidade da federação, sendo que atualmente o estado faz parte da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste, extinta em 1990 mas recriada em 2011. Apesar de sempre se localizar na Região Centro-Oeste do Brasil, historicamente está vinculado mais às regiões Sul e Sudeste por questões culturais e demográficas. Mato Grosso do Sul teve na pecuária, na extração vegetal e mineral e na agricultura, as bases de um acelerado desenvolvimento iniciado no século XIX.

Tem, como bebida típica, o tereré: o Mato Grosso do Sul é o estado-símbolo dessa bebida e maior produtor de erva-mate da Região Centro-Oeste do Brasil. O uso desta bebida, derivada da erva-mate (Ilex paraguariensis), nativa do Planalto Meridional do Brasil, é de origem pré-colombiana. O Aquífero Guarani compõe parte do subsolo do estado.

Por que no dia 11 comemora-se a segunda divisão do estado de Mato Grosso?

“Houve a divisão do estado quando da revolução constitucionalista em 1932, entre os paulistas e os matogrossenses, então o Dr. Vespasiano Martins foi o nosso primeiro governador em 1932; Vespasiano Martins que é o pai do ex-governador Wilson Barbosa Martins que hoje do alto de seus 95 anos deve estar vendo com muita saudade estes acontecimentos porque ele também foi um dos que buscou esta segunda divisão que se deu em 1977”.

A disputa pelo poder político marcou o início de Mato Grosso do Sul?

“Exatamente. A divisão começou envolvendo o engenheiro Pedro Pedrossian que já havia sido governador do estado do Mato Grosso e alguns outros políticos da época dentre eles o seu próprio afilhado Marcelo Miranda Soares que também ostentava ser governador, então, aconteceu que começou uma grande confusão, o General Geisel do auto da sua postura vamos dizer de juiz deu um prazo para que esta situação fosse resolvida. Não se resolveu. A verdade é que não se resolveu e ocorreu que o poder central em Brasília, acabou usando uma situação diferente, nomeou um funcionário público, o engenheiro Harry Hamorin Costa para governar o estado e para cá veio ele governar. Neste ínterim, o engenheiro Marcelo Miranda Soares, então prefeito de Campo Grande uniu-se ao ex-governador Pedro Pedrossian e assim o Marcelo Miranda Soares se tornou o governador de Mato Grosso do Sul. Ativo político, Pedro Pedrossian por sua vez candidatou-se ao senado da República e como senador da República, ficou um breve período de senado e acabou também ele dando um jeito de puxar o tapete do governador Marcelo Miranda Soares, tornando ele Pedro Pedrossian, o governador do estado. O mais interessante neste lado histórico é que todas as vezes que ocorreu isso o deputado Londres Machado era o presidente da Assembleia Legislativa e isso ocasionou que Londres Machado governasse o estado por três vezes”.

A divisão foi benéfica para o lado de Mato Grosso do Sul?

“Nós sul-mato-grossenses pensávamos que a divisão pudesse ser benéfica para nós, sempre achamos que o lado de Cuiabá era distante, era difícil de tomar decisões e então ocorreu que para nós havia um problema geográfico interessante. Campo Grande sempre foi a maior cidade do estado, não obstante Cuiabá fosse a capital e ocorreu que de repente com a divisão começou a colocar muito recurso no estado de Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul começou a levar determinados prejuízos. Eu acredito que quem salvou a situação aqui no Mato Grosso do Sul foram os gaúchos, na realidade eram gaúchos contra gaúchos porque ambos os lados passaram a plantar soja. Daqui nós já tivemos o maior plantador de soja do Brasil, mas de repente este maior plantador de soja, Olacir de Moraes vendeu as suas propriedades do grupo Itamarati e com estas vendas a Itamarati após vendida se transformou em assentamento. Lá no Mato Grosso deu-se um progresso enorme, deu-se um investimento enorme, não há duvida hoje que ao se comparar o Mato Grosso com o Mato Grosso do Sul nós vamos ter um pequeno problema. Cuiabá é uma cidade muito maior do que Campo Grande. As cidades em volta de Cuiabá todas cresceram, o progresso ali se dá diariamente e no Mato Grosso do Sul nós vamos caminhando ali a passos de tartaruga”.

Com a divisão, Mato Grosso do Sul passou a ser confundido com Mato Grosso. A mudança do nome do estado, na sua opinião, seria a saída?

“Eu vejo da seguinte forma: quem precisa fazer com que Mato Grosso do Sul não seja confundido com Mato Grosso são os formadores de opinião, são os nossos colegas jornalistas que deveriam desempenhar o seu trabalho a contento e procurar citar mais o Mato Grosso do Sul. Mas enquanto os nossos políticos não se atentarem para isso, veja bem, a nossa presidente não acerta nunca o nome de Mato Grosso do Sul e existem outros da classe política que também fazem o mesmo, artistas de televisão, pessoas publicas, se elas tivessem um comportamento voltado pela divulgação o nome de Mato Grosso do Sul eu acredito que tudo acabaria sendo levado a costume e não haveria nenhum problema e eu sou favorável que permaneça este nome: de Mato Grosso do Sul”.

Por que o senhor é favorável ao nome: Mato Grosso do Sul?

“Eu acredito que Mato Grosso do Sul é um nome mais pertinente, é o nome que deveria ser colocado. É o nome que tem sido motivo de lutas históricas. Nós não agradaríamos os nossos ancestrais se mantivéssemos Mato Grosso do Sul e quero aproveitar para dizer que a cidade Morena – Campo Grande está otimamente colocada como capital do estado e eu acho que eles precisam também começar falar em Campo Grande como capital de Mato Grosso do Sul porque se não seremos também confundidos com Campo Grande no Rio de Janeiro”.

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