Dourados

Aeroporto de Dourados terá R$ 105 milhões para modernização

Terminal entra em pacote federal de concessões e dependerá de “subsídio cruzado” para viabilizar operação e ampliar serviços

Maquete do novo terminal do aeroporto de Dourados Maquete do novo terminal do aeroporto de Dourados

O aeroporto de Dourados deve receber R$ 105,5 milhões em investimentos dentro de um novo pacote de concessões do governo federal, mesmo apresentando viabilidade financeira negativa nas próximas décadas. A proposta integra o município a um modelo nacional que busca modernizar terminais regionais por meio da iniciativa privada.

Dados do Tribunal de Contas da União apontam que o aeroporto douradense tem projeção de Valor Presente Líquido (VPL) negativo de R$ 74,6 milhões até 2052, o que indica que o terminal não se sustenta financeiramente apenas com suas próprias receitas.

Para contornar esse cenário, o governo aposta no chamado “subsídio cruzado”, em que aeroportos mais lucrativos, como o de Brasília, ajudam a bancar a operação de unidades deficitárias. O modelo faz parte do Programa AmpliAR, desenvolvido pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

No recorte de Mato Grosso do Sul, Dourados aparece como prioridade em termos de prazo. Os R$ 105,5 milhões devem ser aplicados em até 36 meses após a assinatura do contrato, período mais curto em comparação a outros aeroportos incluídos no pacote.

Os recursos serão destinados à ampliação da infraestrutura, manutenção e melhoria dos serviços, com expectativa de aumentar a capacidade operacional e atrair novos voos para o município.

Além de Dourados, o pacote inclui os aeroportos de Bonito e Três Lagoas, que juntos somam R$ 270,2 milhões em investimentos no Estado. Ao todo, são 10 aeroportos regionais vinculados à concessão do terminal de Brasília, com previsão de R$ 857,8 milhões em aportes.

Mesmo com os investimentos, os estudos indicam que todos os aeroportos do grupo operam com déficit ao longo do horizonte analisado, reforçando a necessidade do modelo integrado.

A proposta do governo é transformar aeroportos regionais em polos de desenvolvimento, estimulando o turismo, os negócios e a conectividade aérea. A expectativa é que a concessão traga mais eficiência, inovação e qualidade nos serviços prestados aos usuários.

O leilão está previsto para ocorrer ainda no primeiro semestre, com contratos válidos até 2037. Antes disso, o projeto passará por consulta pública.

De acordo com o TCU, a atual concessionária do Aeroporto de Brasília, a Inframerica, deverá participar do leilão. Já a Infraero deixará a sociedade da concessão até junho de 2026.

Para o governo federal, o novo modelo permite viabilizar investimentos em aeroportos menores sem pressionar diretamente os cofres públicos, ao mesmo tempo em que amplia a estrutura logística e a competitividade regional.

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