Um funcionário de empresa pública, morador de Campo Grande, recorreu à Justiça para tentar recuperar R$ 597 mil perdidos em apostas realizadas na plataforma de jogos virtuais. O caso envolve movimentações milionárias ao longo de aproximadamente três anos e uma situação financeira que, segundo a ação, acabou marcada por dívidas e comprometimento elevado da renda mensal.
Conforme apuração, durante o período o apostador transferiu cerca de R$ 1,33 milhão de sua conta bancária para a plataforma. Em contrapartida, recebeu aproximadamente R$ 740,3 mil, resultando em uma diferença próxima de R$ 597 mil.
Considerando todas as operações realizadas dentro da própria plataforma, entre apostas, ganhos, créditos e retiradas, a movimentação teria alcançado R$ 9,5 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 8,7 milhões corresponderam a saques e créditos, com perda contábil calculada em cerca de R$ 715,7 mil.
A situação também provocou reflexos diretos no orçamento do trabalhador. Com salário mensal de aproximadamente R$ 12 mil, ele atualmente recebe cerca de R$ 4 mil líquidos. Grande parte da remuneração estaria comprometida com empréstimos consignados e outras operações bancárias contratadas durante o período em que as apostas se intensificaram.
Na ação judicial, a defesa sustenta que o comportamento não se tratava apenas de apostas ocasionais, mas teria evoluído para um quadro de Transtorno do Jogo, também chamado de ludopatia.
A condição é caracterizada pela dificuldade ou incapacidade de controlar o impulso de apostar, mesmo diante de consequências financeiras, familiares ou profissionais graves.
Laudos médicos apresentados no processo apontam que o trabalhador realiza tratamento especializado e que o transtorno teria reduzido significativamente sua capacidade crítica para tomar decisões relacionadas ao dinheiro.
Segundo a argumentação apresentada pela defesa, uma fase inicial de ganhos teria provocado no apostador uma falsa sensação de controle sobre os resultados. Com o avanço das perdas, ele passou a aplicar quantias cada vez maiores na tentativa de recuperar o dinheiro já perdido.
Esse comportamento é conhecido como “chasing losses”, expressão utilizada para descrever a tentativa recorrente de recuperar prejuízos anteriores por meio de novas apostas, alimentando um ciclo de perdas cada vez maiores.
Agora, o trabalhador busca judicialmente o ressarcimento de parte dos valores desembolsados na plataforma, enquanto enfrenta uma dívida que compromete aproximadamente dois terços de sua renda.

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