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Capital: Sete anos depois, o que a pandemia mudou no “painel da morte”?

Nesta quarta-feira, poucos recados sobraram, mas há pedidos de amor e protesto em painel. (Foto: Marcos Maluf) Nesta quarta-feira, poucos recados sobraram, mas há pedidos de amor e protesto em painel. (Foto: Marcos Maluf)

Painel onde as pessoas podem escrever o que querem fazer antes da morte ainda tem sonhos

A morte é a única certeza de quem nasce, mas nunca se falou tanto dela, como se fala agora. Mais do que isso, nunca se correu tanto contra o tempo para aproveitar as simplicidades da vida como agora, principalmente, após uma pandemia que se instalou de uma hora para outra e já levou milhões de pessoas embora, deixando muitos sem chance de dizer “adeus” ou “eu te amo”.

Por isso, o Lado B deu uma passadinha no cemitério Jardim das Palmeiras, no Jardim Seminário, para ver o que mudou neste ano de pandemia no famoso “painel da morte”, que existe há mais sete anos, com espaço para as pessoas escreverem o que elas desejam fazer antes de morrer.

Boa parte dos inúmeros recados escritos nos últimos dias já estava apagada, normal para que outras pessoas que passam por ali, seja para se despedir ou visitar entes queridos enterrados, possam ter a chance de escrever algo também.

Mas entre as palavras que resistiram, estavam sonhos que falam muito de um ano em que a morte aumentou em Campo Grande, no Brasil e no mundo por conta da covid-19.

“Eu te amo muito vovó Dulce e bisa Marina”. A frase com letra de fôrma parece ter sido deixada por uma criança. Já com letra cursiva, alguém parece clamar pelo amor dizendo “Aproveitar a vida ao lado de quem eu amo”.

Teve também recadinho que ninguém imaginava escrever até dois anos atrás. “Quero o mundo livre da covid-19”. Mas há quem use o painel durante as visitas para protestos como “Derrubar o presidente”.

Alguém que ama muito o Bosco, deixou também uma declaração de amor. “Bosco, meu eterno amor, descanse na luz e na paz do nosso senhor e salvador Jesus”.

O painel existe neste cemitério há sete anos, foi uma inciativa da instituição para servir de alento àqueles que conseguem expressar em palavras, o que sentem ou desejam. Foi assim que ao longo dos anos, surgiram muitos recados com gente apostando na fé, pedindo a presença de Deus ao longo da vida e harmonia na família.

No último Dia dos Pais, segundo assessoria da Pax Nacional, o painel ficou lotado. Tinham muitas  homenagens, frases de conforto e trechos que revelam uma saudade que nunca vai embora, apenas descansa, enquanto as boas lembranças aquecem o peito de quem ficou para seguir em frente.

E você, o que deseja fazer antes de morrer? Deixe nos comentários abaixo ou nas redes sociais.

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