Lado Rural

Chuvas dificultam início das lavouras de soja em MS, mas plantio segue adiantado

Semeadura atingiu 26,6% até 9 de outubro; excesso de precipitação arrasta sementes e prejudica plantas

Lavoura de soja em desenvolvimento; efeitos das chuvas variam conforme o volume de precipitação e as condições do solo (Foto: Divulgação) Lavoura de soja em desenvolvimento; efeitos das chuvas variam conforme o volume de precipitação e as condições do solo (Foto: Divulgação)

As chuvas recentes reduziram o ritmo do plantio da soja em Mato Grosso do Sul e dificultaram o estabelecimento das lavouras em áreas das regiões Centro e Sudeste. Segundo a Aprosoja-MS (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), há relatos de problemas para as plantas emergirem do solo e de erosão que arrasta sementes. Apesar dessas ocorrências, a semeadura permanece adiantada em relação ao mesmo período da safra anterior.

As chuvas recentes reduziram o ritmo do plantio de soja em Mato Grosso do Sul e dificultaram o estabelecimento das lavouras nas regiões Centro e Sudeste, com relatos de selamento do solo e erosão que arrasta sementes. Mesmo assim, até 9 de outubro a semeadura da safra 2026/2027 atingia 26,6% da área estimada, cerca de 10 pontos percentuais acima do ciclo anterior. A Aprosoja-MS ainda não consegue dimensionar a área afetada nem confirmar necessidade de replantio. A área total prevista é de 4,874 milhões de hectares.

Até 9 de outubro, o plantio da safra 2026/2027 havia alcançado 26,6% da área estimada, o equivalente a aproximadamente 1,3 milhão de hectares. O percentual está cerca de 10 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período do ciclo passado, conforme o acompanhamento do Projeto SIGA-MS  (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio de Mato Grosso do Sul).

Segundo o levantamento, o avanço varia pelo Estado. No agrupamento regional usado para acompanhar a semeadura, o Sul lidera, com 35,7% da área plantada, seguido pelo Centro, com 17,9%, e pelo Norte, com 4,8%. A estimativa é que a soja ocupe 4,874 milhões de hectares nesta safra, aumento de 5,5% em relação à anterior.

O boletim mostra que as condições de chuva também são distintas. Conforme as informações fornecidas pelo analista técnico Lucas Santana, da Aprosoja-MS, os volumes de precipitação no período acompanhado variaram de 1 a 225 milímetros entre as regiões.

Em áreas da região Centro, foi observado selamento superficial do solo, uma condição que dificulta a saída das pequenas plantas para a superfície. No Sudeste, há relatos de erosão laminar, com a água carregando a camada superficial do terreno e as sementes.

Os problemas podem comprometer a formação inicial da lavoura e exigir replantio. A Aprosoja-MS, porém, não confirmou casos em municípios ou propriedades específicos. Também informou que ainda não é possível dimensionar a área afetada, pois o acompanhamento atual não quantifica falhas de emergência ou necessidade de replantio.

Os registros estão consolidados por região, sem detalhamento que permita apontar em quais municípios ocorreram os danos. Assim, a redução recente no ritmo das operações não representa, até o momento, um atraso acumulado em relação à safra anterior.

Nas áreas com menores volumes de chuva, a umidade do solo tem favorecido a semeadura e o estabelecimento da soja. As precipitações também contribuem para o crescimento das lavouras em estágios mais avançados de desenvolvimento.

Segundo Lucas Santana, a avaliação de cada área é fundamental para identificar falhas e decidir sobre possíveis intervenções. As decisões devem considerar as condições do solo, a quantidade de plantas estabelecidas e o clima local.

O boletim da Aprosoja-MS aponta que a previsão de um El Niño de intensidade muito forte para outubro, novembro e dezembro aumenta a possibilidade de instabilidades climáticas no Estado. Entre os efeitos esperados estão tempestades, com possibilidade de granizo, no Centro-Sul, e chuvas irregulares e ondas de calor no Centro-Norte. O documento ressalta que os efeitos do fenômeno dependem da interação com outros sistemas atmosféricos, mas exige cautela no planejamento das operações agrícolas. Conforme informado pela Aprosoja-MS, o calendário oficial de semeadura começou em 16 de setembro e vai até 31 de dezembro.

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