Celebração católica não tem dia fixo no calendário e é marcada pelos tradicionais tapetes coloridos
Fiéis confeccionam tapetes de Corpus Christi no Rio de Janeiro | Tomaz Silva/Agência Brasil
Todos os anos, uma dúvida volta a aparecer entre os brasileiros: por que Corpus Christi muda de data? Diferentemente de feriados como Natal ou a Independência do Brasil, a celebração católica não possui um dia fixo no calendário e pode ocorrer entre maio e junho, dependendo do ano.
Em 2026 , o Corpus Christi será celebrado na próxima quinta-feira, 4 de junho . A data, porém, não é considerada feriado nacional . No calendário do governo federal, ela aparece como ponto facultativo nacional , embora muitos estados e municípios adotem feriado local.
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A mudança anual da celebração está diretamente ligada a uma das datas mais importantes do cristianismo. O Corpus Christi acontece sempre 60 dias após o domingo de Páscoa .
Como a Páscoa também não possui uma data fixa, o Corpus Christi acaba variando todos os anos. O cálculo segue uma tradição da Igreja Católica baseada no calendário lunar: a Páscoa é celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre depois do início do outono no Hemisfério Sul.
A partir dessa definição, outras datas do calendário cristão também se movem, como a Quaresma, o Carnaval, Pentecostes, a Santíssima Trindade e, por fim, o Corpus Christi.
Na prática, isso significa que a celebração pode ocorrer em diferentes datas entre o fim de maio e o final de junho, dependendo do ano.
A expressão Corpus Christi vem do latim e significa "Corpo de Cristo ". A celebração recorda a instituição do sacramento da Eucaristia durante a última ceia de Jesus com os apóstolos. Para os católicos, o pão e o vinho consagrados representam o corpo e o sangue de Cristo.
Por esse motivo, a data é considerada uma das mais importantes do calendário litúrgico da Igreja Católica.
A festa foi instituída em 1264 pelo papa Urbano IV. Segundo a tradição católica, a criação da celebração foi influenciada pelas visões da religiosa agostiniana Juliana de Mont Cornillon, que defendia a inclusão de uma festa dedicada à Eucaristia no calendário da Igreja.
Outro episódio associado à origem da data ocorreu na cidade italiana de Bolsena, onde uma hóstia teria sangrado durante uma celebração religiosa. O acontecimento reforçou a devoção à Eucaristia e contribuiu para a oficialização da festa.
Além da mudança anual de data, outra característica que chama atenção em Corpus Christi são os tradicionais tapetes coloridos confeccionados nas ruas .
A tradição está ligada às procissões realizadas pela Igreja Católica. Segundo a Canção Nova, esta é a única ocasião do ano em que o Santíssimo Sacramento percorre as ruas em uma manifestação pública de fé.
Os tapetes ornamentam o caminho por onde passa o cortejo religioso e simbolizam a acolhida a Jesus Cristo.
Para os católicos, a prática remete à entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, quando a população teria preparado o caminho para recebê-lo.
Os tapetes são produzidos com materiais como serragem colorida, sal, areia, pó de café, pedras tingidas e itens recicláveis. Os desenhos costumam retratar passagens bíblicas, símbolos da Eucaristia e mensagens ligadas à fé, à fraternidade e à solidariedade.
A tradição de decorar as ruas durante Corpus Christi teria surgido no arquipélago dos Açores, em Portugal, ainda no século XIII. Posteriormente, o costume foi trazido para o Brasil pelos portugueses e permanece vivo até hoje em diversas cidades.

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