Novo Recorde

Mato Grosso do Sul registra a maior safra de soja da história

Estimativa foi revisada para 17,7 milhões de toneladas da oleaginosa na safra 2025/2026

Mato Grosso do Sul registra a maior safra de soja da história - Gerson Oliveira / Correio do Estado Mato Grosso do Sul registra a maior safra de soja da história - Gerson Oliveira / Correio do Estado

Com 95% da colheita da soja concluída em Mato Grosso do Sul, a expectativa para a safra 2025/2026 é de um novo recorde de produção. Para o ciclo, a estimativa do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS) é de que o Estado produza 17,7 milhões de toneladas, se confirmada, a produtividade será a maior já registrada na história estadual, considerando que o recorde foi de 15 milhões de toneladas no ciclo 2022/2023.

O boletim Casa Rural, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul) e a Associação dos Produtores de Soja de MS (Aprosoja-MS), aponta, após a amostragem de produtividade em 19,5% da área, uma produtividade média de 61,73 sacas por hectare, representando um aumento de 19,2% em relação ao ciclo anterior. 

“Mantida a área estimada em 4,794 milhões de hectares, a projeção de produção passa a ser de 17,759 milhões de toneladas, crescimento de 26,3% frente à safra 2024/2025 [quando foram colhidos 14 milhões de toneladas]”, detalha o informativo técnico.

Segundo o assessor técnico da Aprosoja-MS, Flavio Aguena, os números ainda podem sofrer ajustes. “Isso porque os dados finais dependem da conclusão do estudo de Uso e Ocupação do Solo e do avanço do levantamento de produtividade nas propriedades rurais”, aponta.

O presidente da Aprosoja-MS, Jorge Michelc, disse no início do plantio que Mato Grosso do Sul vive uma expansão consistente da soja, fruto da dedicação dos produtores e do uso crescente de tecnologias de manejo. Mas que o clima seria determinante para transformar esse potencial em realidade.

“O planejamento e a adoção de práticas modernas são fundamentais para garantirmos os resultados esperados e para consolidar a força do nosso Estado no cenário nacional”, afirma.

Ainda conforme o boletim, a região sul está com a colheita mais avançada, com média de 99,3%, enquanto a região central do Estado está com 91,7% e a região norte com 82,7% de média. A área colhida até o momento, é de 4,550 milhões de hectares.

A soja voltou a ser o principal produto da pauta de exportações de Mato Grosso do Sul. Conforme já adiantado pelo Correio do Estado, a balança comercial do Estado registrou superávit de US$ 1,8 bilhão em março deste ano, com exportações de US$ 2,55 bilhões e importações de US$ 751,6 milhões. 

O resultado foi impulsionado pela soja, que voltou a ocupar a primeira posição das exportações, após um período em que a celulose liderou os embarques estaduais.

Em março, a soja respondeu pela maior fatia das vendas externas, seguida por celulose e carne bovina. Além do fator sazonal, o câmbio segue como aliado da competitividade brasileira. Mesmo com oscilações recentes, o dólar em patamar elevado sustenta a atratividade da soja no mercado internacional, especialmente diante da demanda consistente da Ásia.

“A soja foi o principal produto que contribuiu para o superávit da balança comercial por dois fatores, em razão do momento sazonal referente à colheita da soja e por causa da quantidade ofertada de soja no mercado. Como a demanda pela soja brasileira permanece aquecida, mesmo com preços um pouco mais baixos na comparação com o mesmo período de 2025, a quantidade comercializada acaba contribuindo para o montante”, pondera o analista de Economia da Aprosoja-MS, Mateus Fernandes.

No campo das importações, o gás natural voltou a liderar o ranking, seguido por caldeiras, álcool, cobre e máquinas de empacotar, o que evidencia a dependência energética do Estado.

O plantio da segunda safra 2025/2026 de milho foi concluída em Mato Grosso do Sul. A região sul está com o plantio 100% concluído, enquanto a região central está com 99,4% e a região norte com 96,3% de média. A área plantada até o momento, conforme estimativa do Siga MS, é de 2,195 milhões de hectares.

A produtividade média esperada é de 84,2 sacas por hectare, alinhada à produtividade média observada nas últimas cinco safras do Estado. Com base nesses números, a expectativa é de uma produção total de 11,139 milhões de toneladas.

A estimativa para a safra atual aponta para um aumento de 3% na área plantada, mas há uma redução na produtividade e no volume total de produção. Em comparação com o ciclo anterior, a produtividade deve ser inferior em 22,4% e a produção em 20,1%. 

“Essa estimativa leva em consideração o desempenho das últimas cinco safras e faz a comparação direta com o resultado do ciclo anterior. O fato de a segunda safra 2024/2025 ter tido uma produção excelente ajuda a explicar por que a estimativa para este novo ciclo é inferior”, detalha o boletim Casa Rural.

A atual segunda safra de milho deve ocupar aproximadamente 46% da área destinada à soja no Estado, uma redução significativa em comparação aos 75% que já ocupou anteriormente. 

O milho tem se destinado às áreas com menor risco climático, já as demais áreas devem ser ocupadas com sorgo, milheto, pastagem e outras culturas alternativas de segunda safra.

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