A defesa do ex-prefeito Alcides Bernal, 60, pediu sigilo no processo de homicídio qualificado que corre na 1ª Vara do Tribunal do Juri de Campo Grande, alegando a ampla divulgação do caso. Bernal está preso desde 24 de março após matar o auditor fiscal tributário, Roberto Carlos Mazzini.
O advogado Gledson Alves de Souza entrou no caso e protocolou o pedido de sigilo sobre o processo, alegando que a divulgação irrestrita de elementos probatórios transforma a persecução penal em julgamento público antecipado.
“O presente feito envolve imputação de homicídio qualificado, fato de elevada repercussão social. Todavia, a situação ultrapassou os limites da publicidade ordinária, tendo ocorrido: vídeos da dinâmica dos fatos; mídias apreendidas; e, de forma ainda mais sensível, o interrogatório do investigado foi divulgado na íntegra em redes sociais e veículos de imprensa”, diz a defesa.
Questionado, Gledson Alves afirma que “na verdade”, o interesse da defesa é privar o acesso irrestrito aos autos, principalmente de outros pedidos que serão realizados. Para ele, ainda não é o momento de pedir Habeas Corpus, apenas a revogação da prisão preventiva.
“A questão da saúde é de extrema relevância. Não é o principal argumento, além da questão da saúde, ele cumpre outros requisitos subjetivos que permitem a liberdade com a aplicação de medidas cautelares ou não”, justificou o advogado.
Em 2017, o MPE (Ministério Público Estadual) denunciou o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Jesus Peralta Bernal (PP), por improbidade administrativa e enriquecimento ilícito. A ação ocorreu após a polêmica compra de um apartamento de luxo no início de 2013, logo após a posse como prefeito da Capital.
Reportagem da época do O Jacaré, conta que Alcides Bernal comprou em 2013 um apartamento no 9º andar do Edifício Parque das Nações, no Bairro Santa Fé, na Capital, avaliado em R$ 2,4 milhões.
Na época, Bernal pagou R$ 300 mil à vista, em janeiro, e parcelou o restante para fevereiro e março. Para o MPE, ele não tinha renda nem patrimônio para fazer a compra.
E é ai que a casa da Antônio Maria Coelho aparece. Bernal fez uma permuta com um pecuarista em 2014, e trocou o apartamento pela casa avaliada em R$ 2 milhões.
“Está evidente o exercício da função pública e a variação patrimonial desproporcional aos rendimentos do agente público, o que torna justificada a propositura da presente demanda”, ressalta o promotor Marcos Alex na época.

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