Dourados

Governo Federal libera R$ 53 milhões para levar água às aldeias após surto de chikungunya

Sistema com “super poços” deve atender 20 mil indígenas e pôr fim à escassez histórica nas aldeias Bororó e Jaguapiru

Indígenas sofrem com escassez de água em Dourados - Foto: Fotos: Saul Schramm Indígenas sofrem com escassez de água em Dourados - Foto: Fotos: Saul Schramm

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou nesta quinta-feira (9) a liberação de R$ 53 milhões para implantação de um sistema definitivo de abastecimento de água na Reserva Indígena de Dourados.

A medida atende uma demanda antiga das aldeias Bororó e Jaguapiru, que concentram cerca de 20 mil indígenas e enfrentam problemas no fornecimento de água há mais de cinco anos.

A falta de abastecimento adequado ganhou ainda mais urgência com o avanço da chikungunya no município, que atingiu principalmente a população indígena.

Dados recentes apontam milhares de notificações da doença em Dourados, com grande parte dos casos concentrada nas aldeias, evidenciando a necessidade de melhorias estruturais.

Segundo o ministro, a situação já vinha sendo acompanhada e a liberação dos recursos foi uma das primeiras ações adotadas para enfrentar o problema.

“Já acompanhávamos essa realidade crítica e assinamos a ordem de serviço para garantir que as obras tenham início o quanto antes”, afirmou.

O projeto prevê a construção de dois poços de grande porte, chamados de “super poços”, além da implantação de toda a rede de distribuição de água para as comunidades.

Os recursos já foram repassados ao Governo do Estado, e a execução ficará sob responsabilidade da Sanesul.

Atualmente, o projeto passa por análise da Caixa Econômica Federal, responsável pela liberação final dos recursos.

A previsão é de que as obras tenham início ainda neste semestre, com prazo estimado de conclusão em até dois anos.

Enquanto o sistema definitivo não é implantado, as aldeias seguem sendo atendidas por soluções provisórias. Atualmente, 15 poços emergenciais foram instalados em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados, equipados com caixa d’água, bombas e energia solar.

De acordo com o ministro, essa estrutura atende parcialmente a demanda, mas não resolve o problema de forma permanente.

“Esses poços emergenciais ajudam, mas agora estamos avançando para uma solução estrutural, que vai garantir abastecimento adequado para toda a população”, destacou.

Durante o anúncio, também foi discutida a criação de um modelo de governança para acompanhar a aplicação dos recursos e o andamento das obras.

A proposta é que haja monitoramento constante, com participação das lideranças indígenas, para garantir transparência e efetividade na execução das ações.

*Com informações da Agência Brasil

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