Interior

MP investiga manobra para evitar licitação milionária de aterro em Ivinhema

Investigação aponta que prefeitura aprovou lei própria para manter concessão do aterro sanitário com empresa

Aterro sanitário municipal de Ivinhema, cedido pelo Município à empresa privada (Foto: Ivinoticias) Aterro sanitário municipal de Ivinhema, cedido pelo Município à empresa privada (Foto: Ivinoticias)

A entrega da operação e exploração do aterro sanitário de Ivinhema à empresa Elite Max Ambiental virou alvo de investigação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). A suspeita é que a Prefeitura tenha entregado a concessão do serviço à iniciativa privada por meio de manobra para evitar licitação.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul investiga a entrega do aterro sanitário de Ivinhema à empresa Elite Max Ambiental sem licitação, o que envolve o prefeito Juliano Ferro (PSDB). O Tribunal de Contas já havia declarado ilegal a cessão inicial, anulado o contrato e multado o prefeito em cerca de R$ 16,6 mil. A Prefeitura aprovou uma lei municipal e firmou novo contrato de 10 anos, com pagamento anual de R$ 1,02 milhão. O município defende a legalidade, e o Ministério Público sustenta que a lei não afasta a exigência de licitação.

A ofensiva do Ministério Público acontece depois de decisão do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado), que declarou a irregularidade e a ilegalidade do termo de cessão inicial do aterro, classificando o ato como desvio de finalidade para burlar o dever constitucional da licitação.

Na decisão, foi determinada a anulação do contrato, a retomada da posse do aterro pela Prefeitura e a aplicação de multa no valor de cerca de R$ 16,6 mil ao prefeito Juliano Ferro. À época, o conselheiro Iran Coelho das Neves apontou que a cedência da estrutura por 15 anos com exploração econômica configurava concessão de serviço público essencial de saneamento.

Para contornar a decisão do TCE, a Prefeitura enviou um projeto à Câmara Municipal que resultou na aprovação da Lei Municipal nº 2.248/2025. A lei autorizou a concessão dos imóveis do aterro com dispensa de concorrência pública, alegando a existência de relevante interesse público.

Com a lei aprovada pelos vereadores, a gestão municipal celebrou um novo contrato administrativo com a Elite Max Ambiental em primeiro de abril de 2025 e fixou a vigência de 10 anos prorrogáveis. O novo ajuste previu o pagamento anual de R$ 1,02 milhão pelo Município à empresa, além de repasse de 3% de royalties à prefeitura sobre o lixo recebido de outros municípios.

Em resposta enviada à promotora Lenize Lunardi, a Procuradoria-Geral de Ivinhema defendeu a legalidade da medida e afirmou que o contrato inicial questionado foi extinto. A defesa sustentou, ainda, que a concessão privada gerou economia anual de R$ 1,8 milhão ao evitar o transporte de resíduos para Dourados.

A administração municipal ressaltou também que recorreu da decisão do Tribunal de Contas e que o recurso suspendeu os efeitos da sanção durante a análise técnica. O município alega, no processo, tratar-se de mera gestão patrimonial de bem público.

Por outro lado, o MPMS destacou que uma lei municipal não tem o poder de afastar as exigências constitucionais e as normas federais de contratação pública. Para o Ministério Público, a alteração da categoria jurídica do contrato não elimina a necessidade de submeter a concessão do serviço de resíduos sólidos a uma licitação competitiva.

O Campo Grande News entrou em contato com a Prefeitura de Ivinhema para questionar o motivo da concessão direta e se houve estudo técnico prévio que indicou que apenas a empresa contratada poderia executar o serviço, mas não obteve retorno.

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