Mulher em situação de rua, se preparando para dormir em ponto de ônibus na Rua Brilhante (Foto: Paulo Francis)
A sensação térmica baixíssima em Campo Grande assusta até quem consegue ficar embrulhado em casa. Por isso, é natural a reação ao ver uma pessoa dormindo na rua, sem a proteção das paredes. A cena de uma mulher, acampada em ponto de ônibus da Rua Brilhante, chamou a atenção de alguns leitores, que enviaram imagens ao Campo Grande News.
Mulher identificada apenas como Bruna vive há dois meses em um ponto de ônibus na Rua Brilhante, em Campo Grande, com colchão, cobertor e roupas velhas. Com sensação térmica de 9°C na cidade, ela enfrenta o frio e a chuva sem abrigo adequado. Mãe de filhos, ela recusa ajuda e pede apenas dinheiro para comprar comida. Durante o dia, circula pelo Bairro Amambai e retorna ao local improvisado ao entardecer.
Na noite de quarta-feira, enquanto todo mundo comemorava a vitória do Brasil contra a Escócia, a reportagem foi até o acampamento protegido apenas pela estrutura de um ponto do transporte coletivo. No lugar, encontramos Bruna, escondida pela iluminação baixa.
Sem dizer o sobrenome ou a idade, ela contou que há 2 meses vive assim. "Eu gosto de observar a movimentação dos ônibus, mas não do barulho dos carros que passam".
No endereço improvisado, ela montou um espaço com colchão, roupas velhas, cobertor surrado e travesseiro para passar as noites. Ela anda com uma mala e objetos como um pote de creme e um pente.
Sozinha, a mulher contou que tem filhos, “de crianças a mais crescidos”, sem dar detalhes ou o paradeiro da família. Irritada com tantas perguntas, chegou a dizer que teria 90 anos, apesar de aparentar uns 55.
Bruna garante que não pretende permanecer por muito tempo no ponto, principalmente por causa da chuva e do frio mais intenso nos últimos dias. "Nem consigo tomar banho", lamentou.
A rotina é intermitente. Fica o dia todo pela região do Bairro Amambai, e no fim da tarde segue para a cobertura do ponto de ônibus. Mesmo assim, ao relento, afirmou que não quer ajuda, "só dinheiro para comprar um salgado".
Segundo a Bruna, pessoas costumam perguntar por que ela está ali, mas a atenção de quem passa não vai além disso, comentou.
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