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Perde-se a noção de respeito a poderes diz Amamsul após juiz ser chamado de preto em cidade de MS

Presidente da Amamsul lamentou caso de racismo e diz que acompanha investigação

Giuliano é atual presidente da Amamsul. Imagem: Divulgação Giuliano é atual presidente da Amamsul. Imagem: Divulgação

A Amamsul (Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul) se posicionou após episódio de injúria racial contra um juiz da cidade de Inocência, a 329 quilômetros de Campo Grande. Na ocasião, patrão teria chamado o funcionário de “preto, vagabundo e lixo” durante uma discussão e teria também dito para que ele então procurasse o juiz da cidade, que também seria negro.

“Perde-se a noção de respeito a poderes e de próprio funcionamento de Estado. O Estado tem que ter regras para funcionar e o respeito tem que prevalecer”, destacou ao Jornal Midiamax o presidente da entidade, juiz Giuliano Máximo Martins. “É lamentável ainda acontecer manifestações, que generalizam e estendem aos poderes, que envolvam cor da pele. É triste ver isso”, complementou.

O juiz explicou que ao tomar conhecimento dos fatos, a Amamsul procurou informações sobre o ocorrido junto à Polícia Civil e acompanha a investigação para decidir quais medidas adotará. “A Associação de Magistrados se coloca, não só como protetora do magistrado que teria sofrido à ofensa, mas também de todo cidadão de bem que não merece ser discriminado e sofrer preconceito em razão da sua cor”, afirmou.

O caso aconteceu no último domingo (03) e foi registrado na delegacia de inocência como injúria racial. Conforme as informações do boletim de ocorrência, a vítima contou que morava em uma fazenda há cerca de três anos e que nunca teve problemas com o patrão. No entanto, no domingo passaram a discutir – os motivos da discussão não são informados no boletim de ocorrência -, quando o patrão e o filho, passaram a fazer insultos racistas.

“Sai daqui seu preto vagabundo, vagabundo, seu lixo (sic)”. A vítima então afirma que pegou a chave de seu veículo para seguir até a cidade e os autores continuaram: “você vai lá no Rodrigão aquele preto, vai no juiz também ele é preto (sic)”. O funcionário então saiu do local e diretamente procurou a delegacia de Polícia Civil.

 

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