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Rozy é martelinho de ouro ‘rara’ que agora vai ensinar homens na Europa

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Comportamento

Há 10 anos na profissão, ela demorou para ser aceita no mercado, mas hoje vive com agenda lotada

Rozimárcia da Cunha Araújo, de 43 anos, trocou o pet shop e o convívio com os animais pelas oficinas e carros. Martelinho de ouro, a profissional atua há 10 anos no mercado e em breve partirá para a Europa. Na França, a campo-grandense irá mostrar a técnica que fez muito cliente preferir esperar vaga na agenda dela ao invés de buscar outro profissional.

Em junho, Rozi participou do concurso ‘Detailer Fest Brasil', que reúne profissionais da área de estética automotiva. Representando Mato Grosso do Sul, ela foi uma das 40 selecionadas a nível nacional, sendo a única mulher do time. Na ocasião, a profissional conquistou o quarto lugar e o convite para trabalhar no exterior.

“Eu trabalhava com banho e tosa, estava procurando outra profissão e vi uma reportagem do pessoal fazendo curso. Achei bacana, procurei um e fui fazer. No começo eu queria desistir, não estava dando conta, mas o professor disse: ‘Se você desistir, você vai perder a entrada, porque não vou devolver”, lembra.

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Hoje Rozy dá risada ao se lembrar dessa história e até agradece a pessoa. Se não fosse isso, ela não só teria perdido os R$ 6 mil que investiu no curso, mas a oportunidade de atuar na área. “Tive que continuar e ainda bem que ele falou que não iria devolver. Hoje eu tô firme e forte”, afirma.

Após terminar as aulas, Rozy enfrentou o desafio de ser aceita em oficinas. Ela relata que entregou cartão durante um ano antes de ser contratada. “No começo foi difícil, porque é uma profissão que só homem mexe. Para entrar na área foi complicadíssimo. Mandei fazer uns cartãozinho, fui deixando, mas ninguém ligava”, fala.

A martelinho quase voltou a trabalhar com banho e tosa, porém ‘de uma hora para outra’ recebeu a sonhada oportunidade. Agora, ela garante que não passa sufoco para arranjar serviço. “Hoje a agenda bomba, não consigo atender tudo, passo o serviço para os colegas de profissão, inclusive para o cara que me deu o curso”, diz.

Sobre o preconceito, ela frisa que não enfrenta mais nenhum comentário ou resistência do público masculino. Rozy comenta que muitos preferem esperar vaga na agenda. “Em relação ao preconceito hoje não tem. Agora a história mudou e por incrível que pareça, eles preferem eu, porque pensam que mulher é mais detalhista”, explica.

Apesar de estar há 10 anos na área, ela declara que nunca encontrou outra colega de serviço na cidade. Em São Paulo, no mês de junho, conheceu a primeira. “Em Campo Grande que eu sei só tem eu, nunca conheci outra. Fui conhecer em São Paulo”, fala.

Próxima parada - Por ora, Rozy já está fazendo as malas para a mudança rumo à França. Antes de participar do concurso, ela não fazia ideia que teria essa oportunidade. “Não fazia ideia de que poderia ser convidada e ficar em quarto lugar. Depois desse concurso tive mais visibilidade e essa empresa presta serviço para vários lugares, então vou ficar só na França”, celebra.

No final da entrevista, ela ressalta que embora o começo tenha sido difícil se sente grata. “Pra mim é um orgulho que não consigo descrever, é muita gratidão quando olho para trás”, conclui.

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