A fila de espera por cirurgias cardíacas pediátricas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul voltou a ser alvo de investigação do Ministério Público Estadual (MPMS). Um inquérito civil conduzido pela 32ª Promotoria de Justiça busca aprofundar a apuração sobre a demora nos procedimentos e cobrar medidas dos gestores públicos para ampliar a oferta de atendimento.
A investigação teve início em 2025, após o Ministério Público identificar um cenário considerado preocupante. Na época, um levantamento apontou que 83 crianças e adolescentes aguardavam por cirurgia cardíaca no Estado. Entre os pacientes, havia casos de espera desde 2018.
Mesmo com ações adotadas pelos órgãos responsáveis, a fila continua elevada. Dados mais recentes obtidos pelo MPMS mostram que 61 pacientes ainda aguardam pelo procedimento, número que evidencia a dificuldade em atender a demanda existente.
Um dos principais entraves identificados é a concentração do serviço em uma única unidade hospitalar. Atualmente, a Santa Casa de Campo Grande é o único hospital habilitado pelo SUS para realizar cirurgias cardíacas pediátricas em Mato Grosso do Sul.
Segundo o Ministério Público, a centralização limita a quantidade de procedimentos realizados e dificulta a redução da fila, especialmente diante da crescente demanda por atendimentos de alta complexidade.
A apuração também identificou problemas operacionais que afetam diretamente a realização das cirurgias. Entre eles estão episódios de desabastecimento de insumos hospitalares e interrupções temporárias dos serviços, situações que obrigaram a priorização de pacientes em estado grave ou de urgência.
Com isso, crianças classificadas como pacientes eletivos, que necessitam da cirurgia, mas não apresentam risco imediato de morte, permanecem aguardando por períodos prolongados.
O MPMS alerta que a demora pode agravar os quadros clínicos e aumentar os riscos à saúde dos pacientes que dependem do procedimento para melhorar a qualidade de vida e evitar complicações futuras.
Outro gargalo apontado pela investigação está relacionado à estrutura hospitalar disponível para o pós-operatório. Atualmente, a Santa Casa dispõe de apenas seis leitos de UTI pediátrica destinados à recuperação de pacientes submetidos às cirurgias cardíacas, fator que também limita a ampliação do número de procedimentos realizados.

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