Mesmo negando ter cravado a faca no peito da esposa, a Justiça manteve a prisão de Alípio Drum Alves, de 63 anos, durante a audiência de custódia realizada na tarde desta terça-feira, dia 10 de fevereiro. Janete Feles Valoes, de 45 anos, morreu na noite do último domingo (8), no Assentamento São Joaquim, na área rural de Selvíria, na região Leste de Mato Grosso do Sul.
Durante o interrogatório na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) de Três Lagoas, a cerca de 75 km de Selvíria, o suspeito pelo terceiro feminicídio em Mato Grosso do Sul negou que tenha matado Janete, sua então esposa. Ele afirmou que o casal tinha um convívio harmonioso.
Na delegacia, o suspeito contou que, sem motivo aparente, a vítima, por iniciativa própria, desferiu um golpe de faca em seu peito. Segundo Alípio, no momento do ocorrido, Janete não disse nenhuma palavra, razão pela qual afirma desconhecer o motivo que a levou a tal atitude.
Após a prisão, a defesa de Alípio, representada pelo advogado José Pinheiro de Alencar Neto, entrou com pedido de relaxamento da prisão em flagrante, alegando que não há demonstração suficiente e objetiva do estado de flagrância.
“1. não houve captura imediata; 2. o custodiado não foi preso ‘no calor dos fatos’; 3. a narrativa aponta que ele foi ‘localizado’ horas depois, sem detalhamento idôneo de perseguição iniciada logo após o evento e mantida de forma efetivamente ininterrupta”, pontua a defesa.
No entanto, na tarde desta terça-feira, durante a audiência de custódia, o juiz decidiu manter o principal suspeito pela morte de Janete preso. Agora, ele será transferido para o presídio de Três Lagoas.
‘Laços familiares sólidos’
Ao magistrado, a defesa diz ainda que Alípio foi casado com Janete por mais de 30 anos, sem histórico de violência doméstica, e possui três filhos maiores, com laços familiares sólidos e enraizamento no distrito da culpa.
“Casado com a suposta vítima por mais de 30 anos, sem notícia, até aqui, de histórico de violência doméstica, medidas protetivas, registros policiais anteriores ou indícios concretos de reiteração”, diz trecho do pedido de liberdade.
Além disso, a defesa argumenta que o suspeito é pessoa idosa, único trabalhador da propriedade rural onde reside e possui uma conduta incompatível com ausência de risco cautelar, pois Alípio chamou o socorro e acionou um familiar para ajudá-lo — no caso, um dos filhos.
O advogado pede que, caso não haja o relaxamento da prisão em flagrante, seja concedida liberdade provisória ao cliente e, se necessário, medidas cautelares diversas, como monitoramento por tornozeleira eletrônica.
“A Defesa destaca que, diante do perfil do custodiado (idoso, trabalhador rural, enraizado, família constituída há décadas, sem notícia de violência pretérita e tendo acionado socorro), a cautelar máxima é desproporcional”, ressalta o advogado do lavrador.
Alípio passará por audiência de custódia às 14h desta terça-feira (10), na 1ª Vara Criminal de Três Lagoas, a aproximadamente 80 quilômetros de Selvíria.
Polícia espera laudo e deve ouvir filhos do casal
Ao site Midiamax, o delegado Felipe Rocha afirmou que está à espera de um laudo da médica-legista em vista da alegação de Alípio em interrogatório. “Estamos aguardando o laudo da médica-legista para melhor apuração das circunstâncias, já que o suposto autor afirma que a vítima teria tirado sua vida cravando a faca em seu peito”, explicou.
Durante as investigações, os filhos do casal serão ouvidos pela polícia. “Também iremos ouvir os filhos para saber sobre como era o relacionamento do casal e se a mãe possuía histórico de depressão ou se já teria tentado suicídio alguma vez”, falou.
Assim, a polícia espera que o inquérito policial seja concluído até a última semana de fevereiro. “Creio que na semana posterior ao Carnaval já terei concluído o IP, confirmando o feminicídio ou não”, adiantou o delegado Felipe Rocha.
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