O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPMS) deflagrou, nesta segunda-feira (14), a Operação “Barattieri”, contra desvios na merenda.
Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão no Município de Água Clara. Os nomes dos alvos não foram divulgados.
As investigações, que tiveram início a partir de provas descobertas na Operação Malebolge, revelaram que servidoras públicas do Município Água Clara mantinham um esquema criminoso paralelo com um empresário local, voltado ao desvio de recursos públicos destinados, especialmente, à aquisição de gêneros alimentícios para a merenda escolar.
As investigações apontam que as agentes públicas solicitavam vantagens indevidas ao empresário, e para viabilizar os pagamentos, promoviam a majoração das ordens de compra emitidas pelo Município, sendo que apenas parte dos produtos adquiridos eram efetivamente entregues.
O termo “Barattieri”, faz referência à Divina Comédia, obra clássica de Dante Alighieri. No Inferno descrito pelo autor, os “Barattieri” são aqueles que negociam o exercício de funções públicas em troca de vantagens indevidas.
Operação Malebolge
O Ministério Público, por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado – GAECO, apresentou denúncia contra dez alvos da Operação Malebolge, realizada no dia 18 de fevereiro de 2025.
Segundo a denúncia, de 2022 a 2025, no Município de Água Clara, os denunciados Adão Celestino Fernandes, Adriana Rosimeire Pastori Fini, Ana Carla Benette, Denise Rodrigues Medis, Ícaro Luiz Almeida Nascimento, Jânja Alfaro Socorro, Kamilla Zaine dos Reis Santos Oliveira, Leonardo Antônio Siqueira Machado, Mauro Mayer da Silva e Valmir Deuzébio, “livres e conscientes e cada qual a seu modo, integraram pessoalmente uma organização criminosa, estruturalmente ordenada e com divisão, ainda que informal, de tarefas, com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagens pecuniárias, mediante a prática de infrações penais diversas, dentre as quais, peculatos, fraudes a licitações e contratos públicos e corrupção ativa e passiva”.
As denunciadas ANA CARLA BENETTE, JÂNIA ALFARO SOCORRO e KAMILLA ZAINE DOS REIS SANTOS OLIVEIRA são servidoras públicas lotadas na Secretaria Municipal de Educação de Água Clara e seriam, segundo a denúncia, responsáveis por emitir ordens de compra que são fraudadas, captação e coleta de propina e por atestar falsamente o recebimento dos produtos da ZELLITEC COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS, tudo mediante o recebimento de propina.
ADRIANA ROSIMEIRE PASTORI FINI, que exerce o cargo de Secretária Municipal de Educação de Água Clara, pasta na qual os contratos eram pactuados e onde havia o desvio de valores, seria, segundo o Gaeco, uma das destinatárias das propinas arrecadadas pelo grupo criminoso. Já DENISE RODRIGUES MEDIS é a Secretária Municipal de Finanças de Água Clara e, segundo a denúncia, a quem cabia agilizar os pagamentos devidos aos empresários integrantes do esquema criminoso.

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