Dourados

Nova morte suspeita por chikungunya acende alerta no Parque das Nações II

COE investiga terceiro óbito e aponta resistência de moradores que dificulta instalação de armadilhas contra o mosquito

Agentes estão encontrando dificuldade de colocar armadilhas nas residências na região do Parque das Nações - Foto: A. Frota Agentes estão encontrando dificuldade de colocar armadilhas nas residências na região do Parque das Nações - Foto: A. Frota

O avanço da chikungunya em Dourados ganhou um novo capítulo preocupante nesta segunda-feira (13). O Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública confirmou mais uma morte em investigação suspeita da doença, desta vez de um homem de 63 anos, morador do Parque das Nações II.

O paciente estava internado no Hospital Unimed Dourados, região que concentra um dos maiores focos recentes da doença no perímetro urbano. Com esse caso, já são três mortes sob investigação — incluindo uma criança de 10 anos — sendo duas delas de moradores do mesmo bairro.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, a situação no Parque das Nações II preocupa não apenas pelo número de casos, mas também pela dificuldade enfrentada pelas equipes de combate ao mosquito.

“Não estamos conseguindo instalar as Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs), que ajudam a reduzir em até 66% os focos do mosquito. Parte dos moradores acredita, de forma equivocada, que as armadilhas atraem o Aedes aegypti, quando, na verdade, elas são usadas para conter a proliferação”, explicou.

A resistência da população tem impactado diretamente as ações de controle, dificultando o trabalho dos agentes de endemias tanto na instalação das armadilhas quanto na eliminação de criadouros.

Atualmente, Dourados soma seis mortes confirmadas por chikungunya — todas na Reserva Indígena — além de uma morte indígena ainda em investigação e outras duas suspeitas no Parque das Nações II.

Os dados mais recentes do boletim epidemiológico apontam um cenário de alta transmissão. Na Reserva Indígena, já são 2.012 casos prováveis, com 1.461 confirmações. Em todo o município, os números chegam a 3.572 casos prováveis e 1.634 confirmados, além de 2.652 em investigação.

A rede hospitalar também segue pressionada, com 43 pacientes internados por complicações da doença, distribuídos entre unidades como o Hospital Universitário da UFGD, Hospital Regional, Hospital da Vida e outras instituições.

O boletim ainda destaca que a taxa de positividade da doença permanece em níveis elevados, indicando forte circulação do vírus e manutenção da epidemia ativa no município.

As autoridades reforçam que o combate ao mosquito depende diretamente da colaboração da população, especialmente na eliminação de criadouros e na autorização para instalação de equipamentos de controle nas residências.

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